Publicado por: Leonardo Brito | 29 29UTC dezembro 29UTC 2010

Dez anos de Atitude Feminina

Grupo feminino de rap do Distrito Federal comemora dez anos de trabalho. Com reconhecimento nacional, prepara o lançamento de seu segundo CD

Com atitude, grupo tenta mudar vidas por meio da música

Formado por Hellen, Gisele e Aninha, o grupo de rap Atitude Feminina comemorou em junho dez anos de trabalho. Trazendo sempre em suas músicas o protesto contra a violência doméstica e discriminação das mulheres de classes menos favorecidas da sociedade, Atitude já está terminando seu segundo CD.

Moradoras da cidade de São Sebastião, as integrantes do grupo ganharam visibilidade no cenário do hip hop nacional com o videoclipe “Rosas”, que discorre sobre a violência contra a mulher.

Em 2008 cantaram como convidadas no Senado Federal, em comemoração ao Dia da Mulher, sendo o primeiro grupo de rap nacional a se apresentar no Senado. Já em 2009, ganharam o Prêmio Hutúz, festival de hip hop organizado pela Central Única das Favelas, como grupo revelação da década.

Na entrevista, Aninha conta toda a trajetória do grupo, revela os momentos de discriminação já sofridos e o sentimento do trabalho realizado. Esclarece ainda, que o maior sonho do grupo não é o reconhecimento, mas, poder mudar vidas por meio da música.

Preconceito. O Atitude Feminina é um dos poucos grupos musicais formado só por mulheres no Brasil. No cenário do rap nacional o grupo é referência do gênero. O Atitude sofreu ou sofre algum tipo de preconceito?
Aninha: O preconceito está dentro da gente. Cara, teve baile que os cara puxavam as pick-up para a gente não cantar. Ainda rola discussão quando vamos para um show. Se a gente cantar antes que os cara, eles ficam P… Rola muito isso ainda, mas nós somos respeitadas. Hoje falam que somos inspiração para todas as mulheres. Eu não acreditava nessa história. Até ir para um fórum onde estavam reunidas mais de 5 mil mulheres do rap nacional e de fora do Brasil. Tive que dar uma palestra nesse fórum, e de repente começaram a gritar que o Atitude Feminina era inspiração. Então hoje eu vejo que o Atitude é exemplo. Às vezes vem uma pessoa e diz: “Pô a sua música mudou a minha vida, eu parei de traficar por causa da sua música” Falar que alguma coisa na vida mudou por causa da nossa música, pra a gente é tudo.

O vídeo-clipe “Rosas” já tem quase 2 milhões de visitas no Youtube. O que essa música representa para vocês?
Aninha: Rosas é nossa vida! Minha mãe passou por violência e sofreu muito. Assim como a mãe de cada uma das meninas do grupo. É a realidade, não é nenhum conto de fadas. É um fato que acontece com a mulher, e se ela não denunciar o final dela vai ser esse. No começo era só mais uma música para o CD, até mesmo porque agente tinha vergonha de falar sobre isso. Como você vai falar do seu íntimo, da sua vida particular através de uma música? Quando foi feita a música todo mundo acreditava que não ia tocar em lugar nenhum. Passou uma semana a música estourou.

Como surgiu o Atitude Feminina?
Aninha: A primeira formação foi há 10 anos, com a Jane, a Hellen e a Gisele. Depois de seis meses que o Atitude estava formado eu entrei no grupo. Não vou dizer que foi tudo maravilhoso até porque não foi. Teve baile que rolava tiroteio e a gente no meio, sem saber o que fazer. Não podia correr e também não podia ficar parada senão tomava tiro. Hoje a Jane não está mais, ela está levando a vida gospel. Também teve a Lalá, que cantou no grupo por três anos, mas acabou saindo.

Que mensagem o Atitude tenta passar em suas músicas?
Aninha: Nosso intuito é atingir aquele moleque menor e passar que o crime não compensa. Ou vai morrer ou ser preso. Acredito que a nossa música não veio só para entrar na cabeça de um adolescente, mas de uma mãe. Porque o preconceito ainda existe no rap. Pô, aquela música lá de bandido… Pô, aquelas mina são louca, tão bonitas e estão cantando rap? Mas assim, é uma coisa que a própria Helen vive declarando, é um sonho.

Qual o sentimento de vocês com o trabalho realizado ao longo desse tempo?
Aninha: Quando as pessoas escutam o Atitude hoje, vê uma música consciente. Uma música que vai ajudar num colégio ou numa pesquisa. Então, se um pouquinho de Rosas entrar numa família, De que vale o crime entrar na cabeça de um adolescente que quer se envolver com gangue ou de uma menina que está usando drogas, isso já é tudo pra gente. Não interessa se vamos fazer sucesso ou ganhar prêmios.

Como o Atitude Feminina é recebido pela comunidade do Distrito Federal?
Aninha: Pela comunidade nós somos recebidas muito bem. Mas como santo de casa não faz milagre… Alguns cantores de rap da cidade boicotam muito a gente. Por quê? Porque era amiga das meninas do Atitude e achava que ia pegar o bonde e ir junto. Rola isso, rola o ego. As pessoas acham que porque a gente vendeu cinco mil cópias ou porque ganhamos alguns prêmios, como o Hutúz, que a gente mudou.

Você se considera uma pessoa de atitude?
Aninha: Sim, até mesmo porque para estar no Atitude Feminina já briguei com muita gente, principalmente em São Sebastião. A gente é de lá, e somos boicotadas mesmo! Por pessoas que dizem que fazem rap, que fazem trabalho social, e é tudo mentira. Sou uma mulher de atitude. Para você estar no rap tem que ter atitude. Têm pessoas que estão no rap para ver estrelas brilhar. E têm pessoas que estão no rap para livrar um usuário das drogas. A nossa música atinge dentro de um presídio. Você imagina, São Sebastião tem a Papuda, Núcleo de Custódia, Cascavel e o Ciago, o tanto de preso que escuta! Então eu acredito que tenho atitude.

Atitude encara a responsabilidade de influenciar a vida de vários jovens?
Aninha: Vejo Atitude como uma geração que irá mudar um pouquinho a cabeça de alguns adolescentes. Dos amigos da minha época acredito que hoje o que não está vivo está preso. E os da minha idade que não morreram, ou que não foram presos, ensinam os meninos a fumar e a vender. Então a nossa preocupação é a de mudar um pouquinho a cabeça desses jovens. Tudo o que é feito com originalidade e verdade acaba influenciando.

Quais os próximos planos do Grupo?
Aninha: O nosso novo CD está vindo com denúncia de novo. Está vindo forte, com pessoas importantes do rap nacional. O CD está diferente. Estou cantando mais, não estou fazendo só back, me obrigaram a fazer levada. E tem uma grande participação de uma grande mulher do rap, que foi a Dina Di, que faleceu este ano depois de dar a luz a sua filha. Ela deixou uma gravação, uma participação única no nosso CD É uma música fortíssima. Uma música que vai surpreender vocês. Teremos surpresas.

Publicado por: Leonardo Brito | 15 15UTC dezembro 15UTC 2010

Viradão Esportivo: Brasília participa da maior maratona esportiva do país

Implementado pela Central Única das Favelas, projeto mobiliza diversas modalidades esportivas em todo o país durante 33 horas ininterruptas.

A Central Única das Favelas (Cufa) realizou, nos dias 13 e 14, a segunda edição do Viradão Esportivo. Considerada o maior evento de mobilização esportiva do país, o Viradão aconteceu durante 33 horas ininterruptas de todo tipo de prática esportiva em diversas cidades brasileiras. No Distrito Federal, teve início às 9h da manhã de sábado e encerramento às 18h de domingo, na Praça dos Eucaliptos em Ceilândia Norte.

Com um cardápio diversificado de atividades e eventos esportivos, o Viradão, parceria da Cufa com a Rede Globo, Ministério do Esporte, Secretaria de Esportes e Administrações Regionais, aconteceu em seis cidades do DF – São Sebastião, Guará, Ceilândia, Paranoá, Samambaia e Candangolândia. Pelo segundo ano, as cidades puderam contemplar e confraternizar um momento de integração esportiva e cultural.

Na primeira edição, em 2009, o evento beneficiou 780 cidades brasileiras, envolvendo 29 mil atividades e 16 milhões de pessoas mobilizadas pelo esporte.

Neste ano, o tema foi Educação. O coordenador geral da Cufa-DF, Max Maciel, esclarece que a proposta não é somente expor a luta pela educação no sentido literal, mas, através da integração que o esporte proporciona, trazer um momento de reflexão à sociedade. “Queríamos abordar o tema desse ano não só no sentindo literal, mas mostrar à população que educação é o respeito aos espaços públicos e o cuidado com o corpo através de atividades físicas, por exemplo”, explica.

Maciel ainda acrescenta que o processo vai além das práticas esportivas e envolve também práticas culturais como a dança e a música. O coordenador também acredita que a proposta do evento traz um retorno automático da população. “A população se sente pertencente a todo esse processo. Eles produzem e fazem esporte e lazer. Com isso o retorno de uma mobilização dessas é automático. O que fizemos na verdade além de incentivar a prática esportiva, foi dar visibilidade e mostrar aquilo que fazem no dia a dia. Afinal, eles mesmos são os produtores desse evento”, afirma.

Interação com a sociedade – A mobilização também traz aproximação da sociedade de esportes pouco conhecidos. É o que conta Ricardo Soares, 17 anos, também chamado de Palito, e integrante do grupo de basquete de rua “DRuas”. “O Viradão é importante pois traz mais visibilidade ao basquete de rua. As pessoas as vezes acham o basquete tradicional meio chato. Já o basquete de rua tem humor; interagimos com o público e os nossos dribles chamam atenção. E as pessoas gostam disso. Elas se divertem com as nossas gracinhas”, disse o jogador.

O jovem, que também participou da primeira edição do projeto, manifesta seu entusiasmo pelo trabalho da Cufa. “Precisamos ter mais eventos como esse, porque aqui os jovens se encontram para praticar todo o tipo de esporte. Podem andar de skate e jogar basquete, por exemplo. Isso incentiva os jovens, traz mais lazer, que é algo que precisamos ter mais na cidade”, conta.

Cufa - Criada em 1999, nos morros do Cantagalo e Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, a Cufa possui atualmente bases de trabalho em 19 estados do país e no DF, onde iniciou suas atividades no segundo semestre de 2006. Atuando com o lema “Fazendo do nosso jeito”, desenvolve um trabalho social, esportivo e cultural nas comunidades carentes como uma forma de integração e inclusão social.

Todos os eventos cadastrados no Viradão Esportivo foram disponíveis para visualização no site para que o público pudesse escolher a modalidade que mais interessasse em participar.

Para saber mais sobre o Viradão e outros trabalhos da Cufa:
www.cufadf.com.br

Publicado por: Leonardo Brito | 12 12UTC outubro 12UTC 2010

Tropa de Elite 2: Infelizmente o inimigo é antigo

Record de bilheteria, o filme do diretor Padilha, em época de eleições, mostra o lado “duro de roer” dos políticos brasileiros

Após uma fila não quilométrica, mas enorme comparado aos dias normais, e de esperar por quase duas horas para assistir a tão esperada retomada de “Tropa de Elite 2”, enfim pude entrar na salinha escura do cinema. Numa segunda-feira, véspera de feriado nacional, é óbvio que todos os que puderam desfrutar de um dia de recesso, querem aproveitar cada segundo. O meu colega de poltrona no cinema que o diga. Sentindo-se injuriado pelos longos traillers publicitários, não parava de resmungar um só segundo, sem saber que a partir de então ficaria hipnotizado por duas horas e meia de filme.

A retomada da história onde se esperava muita bala e sangue, não frustrou ninguém. Nada de uma receita roubada do pieguismo dos filmes americanos, mas um início de filme onde a crueldade e violência de policiais corruptos ao descarregarem vários tiros contra um carro, no meio da rua, é reflexo do nada fictício cotidiano do povo brasileiro. Wagner Moura, agora ‘coronel’ Nascimento, ressuscita seu personagem de uma forma impecável, mostrando que realmente “agora o bicho vai pegar” para os críticos de plantão que tanto desmereceram a obra original.

Sim, afirmo com sábia certeza as coisas acima. Primeiro, porque a película já bateu o record de bilheteria e tornou-se a maior estréia brasileira em 30 anos. Segundo, pela notória inteligência de Padilha ao conseguir fundir perfeitamente um enredo tenso, realista e surpreendente, com um elenco implacável.

Outra vez, pondero, e de forma louvável, por sua performance calculista e muito inteligente de reformular a personalidade do policial Nascimento, o desempenho de Wagner que já está sendo considerado por alguns críticos o Al Pacino brasileiro. Não deixando de lado a merecida exaltação do ator, o ápice, pelo menos pra mim fiel sonhador de um país onde a reforma política possa emergir de baixo para cima, está na abordagem do “novo” inimigo, o “sistema” (político).

Melícia? O filme estampa a ingenuidade de milhares de brasileiros que acreditam que esta é só uma forma que os policiais corruptos encontraram para extorquir dinheiro dos favelados. Antes disso, escancara à sociedade brasileira a mais nojenta, porém, mais usada forma de se chegar e garantir poderes políticos no Brasil.

Em resumo, pois deixarei as críticas para os críticos, e a vontade de saber que bicho realmente pega no filme para os que não viram, acredito que os aplausos, que com certeza se repetiram e se repetirão nas salinhas escuras de todo o Brasil, são desejos engasgados na garganta e presos nas ideologias de milhares de brasileiros que sonham por uma sociedade realmente “igual” para todos.

Fica a ressalva, e o meu testemunho de quanto me arrepiei ao ver a cena em que a Esplanada dos Ministérios é percorrida até o Congresso Nacional com um som de pulsação no fundo. Sem contar a narração, que nos faz refletir e nos trás um sentimento de revolta ao saber o quanto estamos reféns desse sistema que trabalha para o sistema.

Tropa de Elite 2 é feito de muita adrenalina, sangue, corrupção, favelado, “ficha-suja”, problemas sociais e de uma crítica muito inteligente aos nossos “governáveis”, visto sua estréia em momento de eleições. Além de uma produção emblemática, Tropa nos aponta o quadro atual da política brasileira, sem precisar de nenhum escândalo ou caixas de pandoras, mas somente expondo a realidade. E fica a pergunta que Tropa me fez questionar: “Quantos Tiriricas ainda iremos dar poder para que levem bandidos inescrupulosos aos postos onde as decisões sobre as nossas vidas são tomadas?”.

Publicado por: Leonardo Brito | 15 15UTC março 15UTC 2010

É UMA SAUDADE QUE DÓI DIA E NOITE

Por Marília Carvalho Chote

Uma mãe que acorda e percebe que seu filho não está na cama, e em lugar nenhum de dentro nem de fora da casa. Que procura por todos os lugares possíveis. Acha ele sujinho e com roupas maiores que o tamanho dele… É essa a minha realidade, aconteceu comigo; uma, duas, tres vezez e mais vezes.

Ele saia de casa limpo, arrumado, e eu algumas vezes o achava em locais distantes de nosso bairro. Ele não gostava de ser localizado, e isso me assustava mas eu não encontrava uma saída. Numa das ocasiões eu o encontrei dormindo no banco de um ônibus, noutra era uma hora da madrugada , ele vinha caminhando sem destino e de cabisbaicho. Meu filho estava caminhando como se fosse dia claro.

Sinto tanta saudades dele!!! É UMA SAUDADE QUE DÓI DIA E NOITE. Não tenho mas forças para continuar procurando-o, mas não perdi a esperança de vê-lo adrentrar pelas portas de nossa casa. Este é o sonho que não me deixa morrer. E ainda quero vê-lo, com o violão tocando e cantando , pois ele gostava muito de violão, aprendeu tocar várias notas musicais e tem uma bela voz, que me parece é um tenor.

O Flávio Carvalho Chote é branco, comunicativo, tem os olhos e os cabelos castanho claro. Deve ter hoje a altura de 1m e74 aproximadamente. Era amigo, respeitador e de bons hábitos. Saiu para fazer uma visita a uma família e não retornou, era esta data 27 de setembro de 1992. Isso no Rio de Janeiro, em Campo Grande.

Ajudem-me a localiza-lo, ou receber uma notícia do paradeiro dele, por favor.

Informações: marychote@hotmail.com

Publicado por: Leonardo Brito | 28 28UTC janeiro 28UTC 2010

CRIANÇAS DESAPARECIDAS NO DISTRITO FEDERAL

O DF é a unidade da federação com maior número de crianças desaparecidas. Eficiência, ou má gestão?

O Ministério da Justiça revela em uma pesquisa realizada entre o período de 2000 a 2009, que o Distrito Federal é a unidade da federação com maior índice de crianças desaparecidas. Ao todo são 299 casos. A cidade do DF com o maior índice foi Ceilândia, com 122 casos registrados seguida de Brasília com 99 casos, Taguatinga 85, Samambaia 87 e Planaltina com 84 registros. Dados confirmados pela SEDEST – Secretaria de Desenvolvimento Social – existente há 41 anos, completa a informação notificando que desses 209 casos 47 não foram solucionados, e que talvez para alguns nem haja solução.

A delegada de proteção à criança e ao adolescente do DF, Gláucia Cristina da Silva, disse em entrevista ao Globo On-line, que o motivo de o Distrito Federal ter o maior índice de crianças desaparecidas está na reformulação e desenvolvimento do programa de apoio aos desaparecidos. Sua eficiência e aproximação com a sociedade viabilizam a rápida inserção dos dados daqueles que desaparecem, causando assim, um grande número de registros.

Gláucia Cristina mostra como exemplo a cidade da Ceilândia, que apresenta o maior índice do DF, pois há cinco delegacias atuando no registro a essas crianças o que aumenta a demanda. E revela que mais de 90% dos casos são crianças que fogem do lar, por maus tratos ou abusos sexuais. E quanto a adolescentes os casos estão relacionados a namoros proibidos ou opção sexual rejeitada pela família.

Os casos não solucionados são contextos mais graves, que na maioria às vezes envolvem o tráfico dessas crianças para a prostituição, ou vendas no exterior para adoções, assassinatos e envolvimentos com drogas. Instituições, ONGs, Blogs e empresas apóiam a causa com projetos paralelos à busca aos desaparecidos no Brasil. Como é o caso da CEB, que expõe na conta de luz fotos de pessoas desaparecidas. O site do Correio Brasiliense, trás também, fotos de crianças desaparecidas, e ainda reconstrói a fisionomia da criança após alguns anos para facilitar a busca.

O governo, após iniciativas não governamentais, implantou um programa de busca a pessoas desaparecidas, que também atua junto às famílias em todos os casos fornecendo apoio psicológico. O SICRIDE – Serviço de Investigação de Crianças e Adolescentes – por exemplo, é uma unidade policial especifica para os casos de crianças desaparecidas. Essa organização treina e capacita profissionais do programa “Caminho de volta”, e atua com atividades de prevenção junto às famílias.

Não há registros concretos da quantidade de crianças desaparecidas. Existem sites de buscas desatualizados e muitos sites incompletos, que mostram uma causa abandonada pelo descaso. No site da SEDH – Secretaria Especial dos Direitos Humanos – encontram-se fotos de pessoas desaparecidas. O site está desatualizado. É possível visualizar, por exemplo, a foto da jovem Isabela Tainara, que esteve desaparecida por mais de 20 dias. A adolescente morava no Sudoeste e foi encontrada morta pela polícia, que localizou parte do seu corpo em um terreno baldio.

A maioria dos sites de busca a crianças desaparecidas estão desatualizados. Em sites de busca, encontram-se registros desumanos de algumas crianças e adolescentes. As fotos – postadas por parentes à procura do ente ou provavelmente postadas por agentes – revelam pessoas hospitalizadas com tubos e curativos. Prováveis acidentes.

Encontra-se também pessoas com problemas mentais, que foram abandonadas pelas famílias ou se perderam delas. Médicos ou agentes postam essas fotos em busca de das famílias ou de uma identificação. Dentre as fotos de crianças desaparecidas encontramos o caso do menino Rui Pedro Levada que desapareceu em 1998 em Portugal. Anos depois, o pai do menino o identificou em um site de pornografia infantil.

As Unidades de Serviço do Distrito Federal

A Sedest junto a Polícia Civil são os dois únicos órgãos ligados ao resgate, e à prevenção contra o desaparecimento de crianças e adolescentes no Distrito Federal. De acordo com a secretária da Sedest, Eliana Pedrosa, a prevenção é um dos focos no trabalho da Secretaria com as famílias. Ela pondera também, a importância de uma pesquisa aprofundada sobre os motivos que levaram a criança a fugir, os que a atraíram para a rua e os que permitiram que ela ficasse fora de casa.

Eliana Pedrosa participou no dia 10 de novembro, de uma das reuniões da CPI das Crianças e Adolescentes Desaparecidos. Na ocasião, explicou os números apresentados pelo Ministério da Justiça que apontam o DF como líder no ranking de desaparecimento. “Não é que o DF lidere na questão de maior número de casos. É que nós temos o melhor sistema de registro. De 2007 a 2009, registramos 3.726 casos, sendo 570 ainda não solucionados. No sistema do Ministério da Justiça, em nove anos só constam 299 casos. A tabela de lá diz que Sergipe apresenta mais casos do que São Paulo. Isso demonstra que os dados são falhos”, explica.

Já no dia 26, quem procurou o posto de atendimento 24 horas da Sedest, que fica localizado em frente o Conic, no Plano Piloto, encontrou portas fechadas. Carlos era um dos únicos funcionários da secretaria, que estava no local junto ao veículo usado para o patrulhamento noturno. Estavam ali, sem trabalho algum a fazer. No posto, são prestados serviços que atendem as denúncias de casos de maus tratos, e a localização de crianças desaparecidas. Porém, estão suspensos desde o dia 18 de novembro, devido a uma greve. Segundo o funcionário, nos dias de funcionamento normal o posto opera com psicólogos e assistentes sociais. Contudo, a baixa média salarial e a falta de um plano de carreira ocasionaram a suspensão do serviço.

Aqueles que recorrem à ajuda da Polícia Civil, serão informados que o procedimento de espera de 24 horas após a constatação da pessoa desaparecida, é algo que já não ocorre mais. Os casos são registrados de imediato. Porém, cabe aos familiares fazerem a ronda a hospitais e IMLs, antes de se encaminharem à delegacia. A polícia informou também, que a patrulha é feita. Mas, só se existir a disponibilidade de funcionários, materiais e veículos. No site da Polícia Civil do DF, é fornecido o serviço de registro on-line. O notificante preenche campos com características físicas do desaparecido, e detalhes de seu desaparecimento. Ao usar este recurso, o registro IP do computador de acesso ao site é registrado para a identificação do usuário, e prevenção contra possíveis casos de trotes.

Três meses fora de casa

“Eu queria falar para a minha mãe, que estou vivo que estou feliz e que sempre estou pensando nela”. É o relato de P.C. de 15 anos, que há três meses se encontra fora de casa, morando na rodoviária do Plano Piloto. O garoto de aparência típica de quem mora nas ruas, anda sujo, com a pele abatida e já perdeu quase todos os seus dentes. No início, andava pela rodoviária vendendo balinhas. Hoje, a ingenuidade e um sonho inocente são pensamentos de sua mente, “eu queria arrumar um dinheiro bom mesmo pra ir para casa, mas eu gosto da rua sempre gostei da rua”, diz.

P.C. fez questão de esclarecer que sua mãe sempre foi uma pessoa boa, e que nunca sofreu maus tratos por ela. Porém, o desejo de reencontrar a família se perde junto a sua contradição. Ele fica perambulando sem destino durante todo o dia, e ao mesmo tempo em que mostra o seu gosto pelas ruas, não esconde que voltaria para casa se tivesse a oportunidade. “O convívio com minha família era normal, saí de casa porque quis”, disse o menino que integra o perfil de muitas crianças que saem de casa por vontade própria.

Na teoria, os serviços de prevenção e resgate a crianças desaparecidas funcionam a todo vapor. Mas não foi o que aconteceu neste caso. “A polícia já chegou, mas eu falei pra eles o mesmo que te falei o pessoal da Promoção Social já veio, mas não perguntaram nada”, relatou P.C., mostrando as falhas e o descaso do sistema quanto ao assunto. Não existem riquezas materiais que substituam o afeto e o amor que uma criança necessita. Foi o que a dor da saudade e da carência, o fizeram expressar: “felicidade pra mim, é a minha mãe”.

No lugar das famílias

A estrutura emocional das famílias que perderam algum parente é algo que fica totalmente abalado. Principalmente com as mães dos desaparecidos. Embora nunca deixem de pensar em seus filhos, tocar nesse assunto sem informações positivas é muito doloroso. Com esse respaldo, e prezando por um trabalho que não fosse conduzido pelo lado emocional e que transmitisse as reais informações dos fatos decorrentes no Distrito Federal. Houve a preferência de ouvir as mães que nunca passaram por essa situação.

Ranielle Araújo, 24 anos, é mãe de Beatriz, 04 anos, filha que considera a coisa mais importante da sua vida. “Nem penso na hipótese de perder minha filha, podiam me internar, porque eu ia tentar me matar, não suportaria essa dor”, expressou Ranielle. A jovem mãe diz que não se imagina nessa situação, “ainda mais sendo ela o meu bem mais precioso, iria pedir forças pra Deus, iria a tudo que fosse lugar atrás dela. Uma mãe faz tudo por um filho. Acho que no princípio, é muito complicado pra quem perde um filho”. Isso é o que passa na mente da mãe, que acredita que com o passar do tempo, Deus vai confortando as famílias. Mas crê também, que é muito difícil e doloroso, principalmente pra quem tem um só filho.

Sentimento e respostas expressadas também Carla Rezende, 35 anos mãe de um casal de filhos. Ela teve seu primeiro filho aos 23 anos, e a coisa que mais preza na vida é a sua família. “Se meus filhos desaparecessem, eu morreria. Eu iria entrar em desespero total. Moveria céus e terra para encontrá-los”, disse Carla. Ela ainda citou o “caso Nardonni”, onde sofreu o tempo todo. “O sentimento de perda é muito grande, a jente que é mãe, sempre se coloca no lugar dessas mães que sofrem pelos filhos. A jente sempre sofre junto com elas”, ponderou. Carla acredita ainda, que nunca um filho substitui o outro. Para ela o amor é único, “Nem quem você tenha outro filho, isso não supre. Aquele vazio vai ser eterno”.

Nem a maturidade muda o sentimento e a singularidade das opiniões das mães. Algo que vemos claramente no depoimento de Marli: “Nunca passou pela minha cabeça perder um filho. Isso não passa na cabeça de uma mãe. Quando tive a minha primeira filha mesmo, pensei que ela ira viver para sempre”. Apesar dos 51 anos e de seu filho caçula ter 18 anos, Marli diz que se perdesse um de seus quatro filhos, iria procurar com anúncios em todos os postos policiais. Para ela, uma das maiores angústias deve ser a dúvida, de o filho estar vivo ou não.

Para falar em combate ao desaparecimento de crianças e adolescentes, é necessário pensar em programas de prevenção, que atue junto às famílias. Onde órgãos e a mídia possam trabalhar junto à sociedade atuando no contexto familiar para uma modificação de conceitos e atitudes. E também, junto aos adolescentes. Atuando como educadores, para então, conseguirmos ver a mudança no índice de desaparecidos, já que 90% dos casos ocorrem por conflitos familiares.

Quanto aos casos mais graves, como seqüestros, tráfico, abandonos e acidentes, tem que existir uma consciência social de denúncia e gestões de políticas públicas, de segurança social e demais órgãos que atuam nas fronteiras. Também a sociedade, na observação quanto às crianças desaparecidas para uma possível identificação e auxilio as famílias, a mídia e demais órgão pressionarem o governo que por si só deveria intensificar os programas apropriados de busca aos desaparecidos, atuando junto aos órgãos militares e embaixadas para os casos de tráficos de crianças. É visível que o efeito negativo está totalmente relacionado à má organização de políticas públicas de prevenção da segurança social do país.

O descaso no Brasil ainda é assustador. Tanto por parte do governo, como da sociedade. Mas talvez haja uma solução quando todos pensarem, e se comoverem com aquilo que as mães passam e que é pensamento de Marli. “Uma mãe não mede esforços pelos filhos, a maior razão de viver de uma mãe, são seus filhos” declara.

Publicado por: Leonardo Brito | 28 28UTC janeiro 28UTC 2010

“UMA NOVA HISTÓRIA” PARA A MÚSICA GOSPEL

Novo álbum do cantor gospel Fernandinho, revoluciona o cenário do pop/rock gospel nacional

O mais recente álbum do cantor Fernandinho – Uma Nova História – já direciona novos rumos para o louvor evangélico e tráz à tona um movimento revolucionário na música gospel. Após décadas do conservadorismo do gênero no Brasil, marcado pelo estilo romântico, pelas manifestações de alguns grupos e cantores que incrementaram com a black music, agora é a vez o pop/rock gospel. A nova roupagem do gênero, com a junção do forte som da guitarra e da bateria, supre a carência musical de muitos jovens evangélicos.

Em tempos onde a pirataria massacra cada vez mais o setor fonográfico, o CD Uma Nova História, alcançou a marca de 80.000 cópias vendidas em apenas um mês. Com onze canções, dez delas inéditas, mais uma versão de Paula Santos – esposa do cantor – da canção God Of This City, da banda Blue Tree, não deixa nada a desejar em técnica e conteúdo, principalmente se levarmos em conta que foi gravado ao vivo. Além da participação de Paula nas canções “Grandes coisas” e “Temos que ser um”, o CD conta também com a participação especial de Asafe T. Santos – filho de Fernandinho – e do Pastor Mano Keilo em “Eu fui comprado”.

O diferencial desse trabalho para os outros cinco álbuns lançados ao longo da carreira, não fica só no sucesso de vendas. Ele marca a consagração do cantor no movimento neopentecostal, que cada vez mais, cresce com simpatizantes jovens, e acostumados com estilos musicais modernos. Para os mais velhos que viram a música gospel se expandir no Brasil desde década de 80, é quase impossível não perceber as grandes mudanças que o gênero está sofrendo.

O estilo inovador de Fernandinho impede que sejam feitas muitas comparações, mas, essa necessidade de renovação já havia sido percebida por cantores consagrados da música gospel, como Rose Nascimento e Kleber Lucas que ao longo do tempo mudaram bastante seus estilos.

Puxar todos os créditos da explosão da música gospel na nova geração de cristãos para Fernandinho, é algo injusto, porém os 2.971.451 milhões de acessos a um de seus vídeos no YouTube revelam o tamanho da apreciação de seu trabalho. Talvez seja o talento, ou quem sabe a sua voz rouca que simpatizem seus inúmeros seguidores. Mas a verdade é que, aliado a sua boa música, estão meios de incentivo como a disponibilização no site da sua gravadora, da faixa título do álbum, download das letras e até o folheamento do encarte antes mesmo de comprar o CD.

Mais uma vez Fernandinho surpreendeu com um trabalho de altíssimo nível, depois de “Faz Chover”, álbum que lançou o cantor no cenário nacional e que continua sendo trabalhado. Poucos esperavam que o cantor fosse ousar novamente e inovar em sua performance e estilo. Sem se preocupar com fama ou sucesso, algo que ele mesmo deixa claro, o cantor trouxe “uma nova história” para música gospel brasileira com letras excelentes, arranjos de altíssima competência, voz excepcional, encarte bastante inovador e canções que dispensam comentários.

Publicado por: Leonardo Brito | 9 09UTC dezembro 09UTC 2009

Manifestação contra Arruda acaba em conflito com a PM no Eixo Monumental

Polícia agride vários militantes em confronto no Eixo Monumental
O movimento “Fora Arruda” que começou de forma pacífica, terminou em confronto com a polícia militar. Várias pessoas saíram feridas e algumas presas.

A manifestação que começou hoje (09/11), por volta das dez horas da manhã em frente ao palácio do Buriti – sede do Governo do Distrito Federal – terminou em confronto com a PM. Nas proximidades do STJ-DF, os manifestantes que pediam o impeachment do governador Arruda, invadiram as pistas do Eixo Monumental por volta do meio-dia. Para acabar com a interdição das pistas e reter o movimento, policiais partiram pra cima das cerca de mil e quinhentas pessoas.
Homens da PM, inclusive o BOPE, e a cavalaria, agiram com violência para a conteção dos militantes que seguiam rumo a Esplanada dos Ministérios. Gás de pimenta, bombas de efeito moral, cacetetes e até os cavalos foram usados para agredir os que manifestavam. A cavalaria da PM, entrou em ação frente aos inúmeros estudantes, integrantes da CUT e militantes comuns. Chegando até a pisotear algumas pessoas com os cavalos.
O clima permaneceu tenso durante todo o conflito. Nem mesmo os jornalistas que registravam o acontecimento foram respeitados. Era possível perceber cinegrafistas sendo atingidos por gás de pimenta. Após irem para o canteiro, onde permanceram cercados por uma corrente de políciais. Os manifestantes contaram com o apoio da deputada distrital Érika Kokay (PT), que intermediou as negociações entre o movimento e a polícia.

Segundo a deputada, os militantes que foram presos, seriam identificados nas delegacias para a soltura. E que haveria também, a disponibilidade de três ônibus que deslocariam os estudantes até a rodoviária do Plano Piloto. Onde continuariam a manifestação de forma pacífica com panfletos. Alguns líderes dos estudantes que aderiram ao movimento, pronunciaram a continuação das manifestações durante a semana.
Está combinando para amanhã, uma caminhada que sairá do Ceubinho rumo a UNB. Para a sexta-feira, um “carnaval fora de época” na rodoviária do Plano Piloto também já está definido. E no sábado, esperando a força do movimento, uma carreata partirá do estádio Mané Garrincha rumo à residência oficial do governador do DF.
No seu isolamento dentro da residência oficial assinando alguns papéis e despachos. Arruda, hipocritamente ainda chamado de governador, resiste à renuncia. Enquanto o povo, que por sua vez, sai do casulo e tenta fazer jus aos seus direitos civis, merece levar pancadas, bombas e ser pisoteado.
Impeachment, renúncia, não sabemos ao certo o fim dessa novela. Mas esperamos que este sentimento de icomodidade e revolta, não sejam ociosos como ocorreu ao longo da história do nosso país. Tomara mesmo, que não tenhamos mais cuecas e meias de algodão sendo usadas da maneira errada por toda essa coja.

Publicado por: Leonardo Brito | 26 26UTC novembro 26UTC 2009

Este mundo é um Pandeiro: a chanchada de Getulio a JK / Sérgio Augusto

No ritmo do Pandeiro

Antes de qualquer comentário, queria chamar a atenção para a capa do livro. Pelos inúmeros lugares onde passei, tendo a obra de Sérgio Augusto como uma inseparável companheira, era praticamente certo perceber muitos mirando o livro. Não sei ao certo, mas imagino que o rosto do maior comediante das chanchadas brasileiras, Oscarito, que tenha chamado a atenção. Ou quem sabe, o título, “Este Mundo é um Pandeiro: a chanchada de Getúlio a JK”, que além de curioso, deve ter deixado bastante jovem a se perguntar: chanchada?
Isso mesmo, chanchada. Um gênero do cinema brasileiro que aos dias de hoje foge do conhecimento de muitas pessoas das gerações mais recentes. Claro, injustamente. Pois num período, em que o Brasil recebia cerca de mil filmes norte-americanos por ano – entre curtas e longas – a nossa chanchada com um humor quase sempre ingênuo, ás vezes malicioso e até picante, se portou como altamente competitiva. Contudo, se hoje elas são obras admiráveis, algumas até dignas do título de “clássicas”, no passado a receptividade não era a mesma. Pelo menos não se tratando dos críticos daquele tempo, que a execrou desde seu surgimento em 1941, até o a sua decadência em 1961 – já governo JK.
E foi com o anseio de fazer uma revisão desse ciclo cinematográfico, duramente incompreendido e mistificado do cinema brasileiro. Que o crítico e jornalista, Sérgio Augusto, se engajou numa intensa série de estudos e pesquisas inteligentíssimas, que resultou num trabalho simplesmente primoroso. Indispensável em qualquer estudo sobre a história do cinema nacional. De 1961, ao lançamento da obra em 1989, muita coisa mudou. O que dizer então desse quase meio século em que a nossa sociedade sofreu grandes transformações, mas, que mesmo assim, não deixou de levar a vida como um pandeiro? A obra de Sérgio Augusto retrata bem em seu enredo, com fatos que são elucidados à medida que segue a linha cronológica dos anos, as mudanças comportamentais da nossa sociedade.
O sofrimento humano, o regime político e o deplorável sistema econômico que existiam, atingia principalmente os mais pobres e os insatisfeitos com o sistema. Que ainda tiveram de sentir na pele a repressão social e política do período. Entretanto, “Este mundo é um Pandeiro” foi um título motivador. Que no sentido mais perspicaz, ou nas rodas de conversas cariocas, trouxe para a palavra pandeiro o sentido de “bumbum”, bumbum generoso. Ou seja, dava a sugestão de não nos aborrecermos demais com aquelas situações, pois sempre existiria um pandeiro – uma bunda linda – desfilando por aí.
“Filmes menores e sem expressão”, essa era uma das mais leves classificações de Moniz Viana quanto às chanchadas. Apontado como o imperador da crítica, não tinha piedade alguma dessas produções. Talvez fosse mesmo pela precariedade e incúria que eram realizadas estas produções. Ou por tratarem sempre nas películas a malícia e a malandragem carioca, que a sociedade elitizada – figurada por inspirações européias – preferia repudiar.
Atualmente as chanchadas adquirem um sentido histórico. E é necessário que a tratemos assim. Não temos mais aquele público ingênuo, para que se haja uma ressurreição do gênero – coisa que certamente não teria êxito. E também levemos em conta todo o ambiente sócio-político que estava ao redor desse movimento. O que mais uma vez a união da astúcia, inteligência e empenho de Sérgio Augusto soube tratar com a devida importância nesse processo. Que narra em suas entrelinhas a complexa realidade do cinema entre o segundo governo de Vargas e os anos JK.
O flashback de Sérgio Augusto primou por justiçar o gênero, que por anos teve, e ainda tem um posicionamento negativo por alguns críticos. É verdade a precariedade técnica das comédias que foram registradas pelos estúdios da Atlântida. Porém, Sérgio Augusto sabiamente nos lembra que não podemos dispensar os grandes talentos que deram sua contribuição nestes filmes. Oscarito, Emilinha Borba, Luiz Gonzaga, Grande Otelo, Marlene, Dercy Gonçalves, Watson Macedo e Carlos Manga, são nomes que até mesmo os menos interessados nesta arte ouvem, ou já ouviram falar alguma vez na vida.
Apesar de tudo, as filas das bilheterias dos cinemas eram enormes. Hoje, grande, é o número de dissertações e trabalhos acadêmicos sobre o gênero. E agora, depois do árduo trabalho de Sérgio Augusto. O raciocínio mais claro e lógico que o livro e o tempo nos trás, é que as chanchadas nada mais eram que as comédias de costumes que estamos acostumados a ver aos montes em séries televisivas. Que retratavam com humor as mazelas do povo brasileiro, que estavam aí, aos olhos de todos. E se ainda assim existirem resistências quanto ao papel das chanchadas, e da importância do livro de Sérgio Augusto na história e no estudo do cinema brasileiro. Resta-nos simplesmente ignorá-las, “pois este mundo é mesmo um pandeiro”.

Publicado por: Leonardo Brito | 15 15UTC outubro 15UTC 2009

Letra: Regozija – Bispo Rodovalho e Kleber Lucas

Regozija – Bispo Rodovalho e Kleber Lucas

Regozija sempre minha alma em Deus
Em seu caminho seguir seus passos, meu maior prazer
És meu refúgio, justiça e graça, minha salvação
Eu quero ouvir a sua voz cantando essa canção

Por isso eu louvo, aquele que assentado está no trono
Está em seu santo lugar eu canto, sabendo que estás aqui
Te adoro pois minha sede é saciada em ti. (2x)

Regozija sempre minha alma em Deus
Em seu caminho seguir seus passos, meu maior prazer
És meu refúgio, justiça e graça, minha salvação
Eu quero ouvir a sua voz cantando essa canção

Por isso eu louvo, aquele que assentado está no trono
Está em seu santo lugar eu canto, sabendo que estás aqui
Te adoro pois minha sede é saciada em ti. (2x)

Te adoro pois minha sede é saciada em ti.

Publicado por: Leonardo Brito | 1 01UTC outubro 01UTC 2009

MERCADO LITERÁRIO

Editoras de mais e leitores de menos, uma crise que o Brasil nunca saiu

Cadê os leitores
Cadê os leitores?

É muito difícil redigir com precisão os problemas do mercado literário, sem ter como ponto referencial uma questão que encontramos nas disciplinas de economia a “oferta e demanda”. E neste caso, existe um relacionamento nada amoroso na indústria cultural brasileira, que vai desde as editoras e os leitores até ao governo e os escritores. Não que estes componentes devam ficar pareados necessariamente nessa ordem, mas infelizmente a flecha para a reversão do mau hábito da leitura e da precária situação do mercado literário está sendo apontada para os lados errados. Temos no mercado, editoras de mais e leitores de menos, paralelo a uma má formação cultural e projetos governamentais sem estratégia e planejamento.

            As intenções estão aí, aos montes, mas muitas vezes escorrem ralo a baixo. Os programas de incentivo nem sempre alcançam com êxito ao que se propõem. Um exemplo disso ocorreu com o poeta Heitor Ferraz, que ganhou uma bolsa de incentivo a criação literária patrocinada pela Petrobras. Porém, disse em entrevista ao JB Online, que defende não só um incentivo financeiro para quem escreve, e a garantia de publicação, mas que exista uma ponte entre o autor e os leitores. “Ganhei dinheiro público para escrever o livro, mas e daí? O livro não pode ir para a livraria para alguns poucos lerem…” disse o poeta.

            Um grande problema é que o mercado continua excluindo os novos escritores brasileiros. As livrarias e mesmo o público consumidor preferem ver nas prateleiras os “best-sellers” gringos, ou obras de escritores já consagrados no mercado nacional. “Para conquistar para a leitura devemos oferecer livros que podem ser mais simples, divertidos, mas que ao mesmo tempo garantam a exploração de certas ambigüidades de linguagem que caracterizam a literatura apresentem empregos inusitados do idioma, tragam exemplos de recursos lingüísticos criativos e carregados de invenção. Livros em que a simplicidade não seja confundida com a facilidade superficial”. Afirma a escritora Ana Maria Machado em seu livro “Ilhas no tempo: algumas leituras”. Certamente ao sugerir isso, já apontava para um problema que ocorre na iniciação do hábito de ler em nosso país. Onde por muitas vezes os professores obrigam os alunos a ler obras totalmente fora do universo infanto-juvenil, o que conseqüentemente impulsiona em muitos o desinteresse pela leitura.

Contudo, sinais de mudança já começam a acontecer, “hoje quem mais consome com livros é público que está entre a faixa etária dos 07 aos 17 anos, vai saber se foi o efeito Harry Potter” informou o jornalista Luciano Marques, que um ano após iniciar uma apuração sobre o mercado literário, teve sua reportagem publicada nesta terça, 29 de setembro, no Jornal Correio Brasiliense. “Não cheguei a colocar essa informação no jornal, mas acredito muito que a situação futura esteja em melhor plano, justamente por causa da geração atual que já começa a mudar de hábitos” disse. Só que as estimativas do futuro vão muito além do que ocorre no presente. Segundo o próprio jornalista, desde que começou sua reportagem, nada mudou em relação as editoras, pelo contrário, as tiragens até diminuíram. “A conclusão que tiro, sobre a indústria literária brasileira, é que poucas pessoas lêem por dois motivos, primeiro as obras tem um preço final muito caro para o consumidor, algo que poderia ser resolvido com alguma lei em prol do distribuidor, por exemplo, e o segundo motivo é que desde pequenos não temos incentivo e nem apoio dos professores nas escolas”.

Reverter essa situação seja a do mercado literário que temos, ou a da má iniciação dos jovens aos livros é um motivo muito preocupante. Pois segundo a assessoria de comunicação da Secretaria de Educação básica, o MEC – Ministério da Educação – não adota no momento, nenhuma campanha nacional de inserção a leitura e que isso ocorre no sistema de escola para escola.

Se teremos um futuro próspero no âmbito da cultura brasileira e principalmente no hábito de ler do brasileiro é algo que só o tempo irá dizer. Mas uma coisa é certa, no Brasil infelizmente as ações ainda são muito voltadas para o mercado editorial, é preciso priorizar na formação dos leitores. Uma reflexão disso se dá na declaração de José Castilho, Secretário Executivo do Plano Nacional do Livro e Leitura, ao JB Online “Não há como tratar separadamente a questão da escrita e da leitura. Não se pode consolidar uma coisa sem outra. Sempre apostamos nas soluções mais complexas”.

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