Record de bilheteria, o filme do diretor Padilha, em época de eleições, mostra o lado “duro de roer” dos políticos brasileiros
Após uma fila não quilométrica, mas enorme comparado aos dias normais, e de esperar por quase duas horas para assistir a tão esperada retomada de “Tropa de Elite 2”, enfim pude entrar na salinha escura do cinema. Numa segunda-feira, véspera de feriado nacional, é óbvio que todos os que puderam desfrutar de um dia de recesso, querem aproveitar cada segundo. O meu colega de poltrona no cinema que o diga. Sentindo-se injuriado pelos longos traillers publicitários, não parava de resmungar um só segundo, sem saber que a partir de então ficaria hipnotizado por duas horas e meia de filme.
A retomada da história onde se esperava muita bala e sangue, não frustrou ninguém. Nada de uma receita roubada do pieguismo dos filmes americanos, mas um início de filme onde a crueldade e violência de policiais corruptos ao descarregarem vários tiros contra um carro, no meio da rua, é reflexo do nada fictício cotidiano do povo brasileiro. Wagner Moura, agora ‘coronel’ Nascimento, ressuscita seu personagem de uma forma impecável, mostrando que realmente “agora o bicho vai pegar” para os críticos de plantão que tanto desmereceram a obra original.
Sim, afirmo com sábia certeza as coisas acima. Primeiro, porque a película já bateu o record de bilheteria e tornou-se a maior estréia brasileira em 30 anos. Segundo, pela notória inteligência de Padilha ao conseguir fundir perfeitamente um enredo tenso, realista e surpreendente, com um elenco implacável.
Outra vez, pondero, e de forma louvável, por sua performance calculista e muito inteligente de reformular a personalidade do policial Nascimento, o desempenho de Wagner que já está sendo considerado por alguns críticos o Al Pacino brasileiro. Não deixando de lado a merecida exaltação do ator, o ápice, pelo menos pra mim fiel sonhador de um país onde a reforma política possa emergir de baixo para cima, está na abordagem do “novo” inimigo, o “sistema” (político).
Melícia? O filme estampa a ingenuidade de milhares de brasileiros que acreditam que esta é só uma forma que os policiais corruptos encontraram para extorquir dinheiro dos favelados. Antes disso, escancara à sociedade brasileira a mais nojenta, porém, mais usada forma de se chegar e garantir poderes políticos no Brasil.
Em resumo, pois deixarei as críticas para os críticos, e a vontade de saber que bicho realmente pega no filme para os que não viram, acredito que os aplausos, que com certeza se repetiram e se repetirão nas salinhas escuras de todo o Brasil, são desejos engasgados na garganta e presos nas ideologias de milhares de brasileiros que sonham por uma sociedade realmente “igual” para todos.
Fica a ressalva, e o meu testemunho de quanto me arrepiei ao ver a cena em que a Esplanada dos Ministérios é percorrida até o Congresso Nacional com um som de pulsação no fundo. Sem contar a narração, que nos faz refletir e nos trás um sentimento de revolta ao saber o quanto estamos reféns desse sistema que trabalha para o sistema.
Tropa de Elite 2 é feito de muita adrenalina, sangue, corrupção, favelado, “ficha-suja”, problemas sociais e de uma crítica muito inteligente aos nossos “governáveis”, visto sua estréia em momento de eleições. Além de uma produção emblemática, Tropa nos aponta o quadro atual da política brasileira, sem precisar de nenhum escândalo ou caixas de pandoras, mas somente expondo a realidade. E fica a pergunta que Tropa me fez questionar: “Quantos Tiriricas ainda iremos dar poder para que levem bandidos inescrupulosos aos postos onde as decisões sobre as nossas vidas são tomadas?”.
Lééo o filme é tudo isso ai mesmo cara, muito show \o/
Por: Olimpio em 28 28UTC outubro 28UTC 2010
às 1:28 am